Há 20 anos, bomba matou 2 e ameaçou Olimpíada

Por Cristiano Cipriano Pombo

Há exatos 20 anos, um atentado deixou dois mortos e 111 feridos na Olimpíada de Atlanta-96.

O relógio marcava 2h20 (horário de Brasília) de 27 de julho de 1996, quando o parque Centenário, em Atlanta, tremeu com a explosão de uma bomba.

Até então, os Estados Unidos apresentavam o maior esquema de segurança para uma edição dos Jogos Olímpicos, com 35 mil pessoas envolvidas.

O artefato foi detonado durante um show do grupo de rock Jack Mack and a Heart Attack ao ar livre e estava em uma das torres de som e luz, a 40 metros do palco.

O FBI (Federal Birô de Investigação) tratou a explosão da bomba como ato terrorista, já que a polícia encontrou mais dois artefatos explosivos no parque Centenário e outra bomba caseira no estádio Olímpico, onde foi feito um minuto de silêncio pelas vítimas (foto no alto). O órgão associou à época o caso ao sequestro de avião DC-10 pelo libanês Saado Ibrahim.

Relato publicado pela Folha em 28 de julho de 1996
Relato publicado pela Folha em 28 de julho de 1996

Cerca de 50 mil pessoas assistiam ao show. O turco Milih Uzunyol, 37, que trabalhava como cinegrafista da TV estatal TRT, e a norte-americana Alice Hawthorne, 44, morreram no local. Ele, de ataque cardíaco, ela, atingida por estilhaços da explosão.

Houve pânico e correria, e a tragédia só não foi maior porque um engenheiro de som percebera uma sacola suspeita em frente à torre de som. Ele ligou para a polícia e começou a afastar as pessoas mais próximas do local.

Infográfico publicado pela Folha em 28 de julho de 1996 conta como foi a explosão
Infográfico publicado pela Folha em 28 de julho de 1996 conta como foi a explosão


O atentado chegou a ameaçar o prosseguimento da 26ª edição dos Jogos na Era Moderna, mudou a rotina do Parque Olímpico em Atlanta e levou a apreensão a familiares de atletas.

Título de reportagem sobre impacto do atentado na delegação brasileira em Atlanta-1996
Título de reportagem sobre impacto do atentado na delegação brasileira em Atlanta-1996

O presidente dos Estados Unidos à época, Bill Clinton, declarou que se empenharia pessoalmente para descobrir o autor do atentado a fim de “fazer justiça e puni-lo”, lembrando que sua filha Chelsea estivera três dias antes no mesmo parque.

Em outubro de 1998, dois anos depois da Olimpíada, o FBI identificou o autor do atentado: Eric Rudolph. Ele tinha servido no Exército americano e passou então a figurar na lista dos dez mais procurados. A recompensa para quem ajudasse a encontrar Rudolph poderia chegar a US$ 1 milhão.

Rudolph, que também tinha cometido atentado contra clínica de aborto, só foi capturado em 2003, no Estado do Alabama. Confessou ter praticado os atentados para protestar contra o aborto e o homossexualismo e disse que não pretendia ferir “civis inocentes”, e sim “constranger o governo dos Estados Unidos diante do mundo por sua permissão abominável ao aborto”. Ao confessar, escapou da pena de morte, mas foi condenado a quatro períodos de prisão perpétua em 22 de agosto de 2005.