Obama faz 55 anos e se prepara para deixar o poder

Por EDGAR SILVA

Há 55 anos, em Honolulu, no Havaí, nascia um dos políticos mais carismáticos que o mundo conhece: Barack Hussein Obama II. Ele é o 44º presidente norte-americano, o quinto mais jovem a ser eleito, o primeiro negro e nascido no arquipélago americano a chegar à Casa Branca.

Está no poder da maior nação do mundo desde 20 de janeiro de 2009 e se prepara para deixar o posto. A eleição deste ano (em 8 de novembro) não é certa nem para republicanos nem para democratas. Por ora só há uma certeza: Obama não pode mais permanecer no cargo. Mas se pudesse concorrer, acredita que ganharia.

Obama graduou-se em Ciências Políticas pela Universidade de Columbia, em Nova York, em 1983. Cinco anos depois ingressou em Harvard e graduou-se em Direito. Nessa época, aos 28 anos, foi eleito editor da publicação Harvard Law Review, sendo o primeiro negro a assumir essa função. Sobre isso declarou: “O fato de eu ter sido eleito mostra muito progresso. Isso é encorajador”.

Antes de ser senador pelo Estado de Illinois, em 2005, Obama ajudou Carol Moseley Braun ser eleita a primeira e única (até o momento) senadora negra dos EUA (1993-1999).

Mesmo sendo o primeiro editor negro da Harvard Law Review e tendo ajudado na eleição de uma colega democrata ao Senado americano, nada se compara a ser eleito o primeiro presidente negro dos EUA.

A Folha sabia disso e mesmo sem um resultado oficial publicou na primeira página de 5 de novembro de 2008 “EUA elegem Obama”, além de um caderno especial com seis páginas sobre a sucessão ao governo George W. Bush (2001-2009).

Primeira página da Folha de 5 de novembro de 2008

Três meses após assumir a Casa Branca, Barack Obama foi a Londres, para o encontro do G20. Em meio a líderes mundiais encontrou um personagem que também foi o pioneiro em seu país: o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro metalúrgico e líder de esquerda a ser eleito no Brasil. O encontro foi marcado por elogios e frases do presidente americano (que se tornaram um de seus símbolos). Em uma delas Obama declarou “Eu adoro esse cara”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrega a Barack Obama camisa da seleção brasileira. (Crédito: Haraz N. Ghanbari – 9.jul.2009/Associated Press)

Quando veio ao Brasil, em 2011, Obama visitou o Cristo Redentor, a Cidade de Deus e discursou para cerca de 2.000 pessoas no Theatro Municipal do Rio. Na ocasião disse que o país une liberdade e progresso e “é exemplo para os árabes”.

Em 6 de novembro de 2012, Obama era reeleito com mais de 51% dos votos populares. Com isso a Folha dedicou caderno especial intitulado “Eleição americana” que trazia oito páginas sobre a disputa acirrada com o republicano Mitt Romney, os resultados de seus quatro anos como mandatário e os desafios dos próximos quatro.

O presidente norte-americano relembrou em seu discurso de agradecimento o momento econômico mundial e ressaltou: “Nossa economia está se recuperando. Uma década de guerra está chegando ao fim. Uma longa campanha agora acabou. E, quer eu tenha merecido ou não o voto de vocês, eu os ouvi, aprendi com vocês, e vocês me fizeram um presidente melhor. Munido das histórias e das lutas de vocês, retorno à Casa Branca mais determinado e mais inspirado para o trabalho que há para ser feito e o futuro que está pela frente.”

Se Obama será ou não o estadista do século só o tempo dirá, mas uma coisa é fato: desbravar áreas onde antes não havia negros parece não ser problema para ele. Embora também saiba que o racismo não esteja liquidado, sobretudo em seu país.


OBAMA EM 5 FRASES

“São os israelenses e os palestinos, e não nós, que devem chegar a um acordo sobre as questões que os dividem: fronteiras, segurança, refugiados e Jerusalém”
21.set.2011, sobre a guerra entre palestinos e israelenses

“Para mim, pessoalmente, é importante avançar e afirmar que eu acho que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar”
9.mai.2012, declara apoio ao casamento gay

“E eu não seria o homem que sou hoje sem a mulher que aceitou casar-se comigo 20 anos atrás. Quero dizer isto publicamente: Michelle, nunca a amei tanto. Nunca senti mais orgulho que agora de ver o resto da América apaixonar-se por você também, como a primeira-dama de nosso país”
7.nov.2012, se dirigindo a esposa, Michelle, após a reeleição

“Quando o que você está fazendo não funciona por 50 anos, é hora de tentar algo novo”
20.jan.2015, durante discurso anual ao Congresso, ao defender que os congressistas comecem a discutir o fim do embargo ao regime cubano

“Nenhum de nós é totalmente inocente. Nenhuma instituição está totalmente imune, e isso inclui a polícia. Sabemos disso. Negros de todo o país mostram um desespero crescente com o tratamento desigual”
12.jul.2016, no funeral dos cinco policiais brancos mortos por um atirador negro em Dallas