Verissimo chega aos 80 e diz que deveria haver um curso preparatório para a velhice

Por EDGAR SILVA

O multitalentoso (escritor, cartunista, tradutor, humorista, autor de teatro e músico) Luis Fernando Verissimo completa hoje 80 anos. Cronista renomado, Verissimo fez do humor a marca de seus textos e tirinhas. Sim, tirinhas. Ou você nunca leu “As Cobras” ou “Família Brasil”?

Natural de Porto Alegre e filho do escritor Érico Verissimo, Luis Fernando estudou no exterior e suas experiências na infância e adolescência fora do Brasil ajudaram-no a afinar seus textos. Repetiria a mesma experiência com os filhos, morando fora e apresentando outras culturas a eles.

Mesmo quando fala de temas delicados como a política brasileira ou internacional, o terrorismo, a vida privada e outros, seu humor no tom certo dá o recado que outro escritor não conseguiria. Verissimo explicita seu talento: “A sátira tem força política porque, geralmente, os regimes repressivos têm medo do ridículo”.

Verissimo colaborou e ainda colabora com alguns dos principais periódicos brasileiros, entre eles a Folha. Em 1979, estreava pelo jornal com a crônica “A batalha final“. Até o final de 1982, o escritor esteve nas páginas da Folha imprimindo um humor que poucos possuem.

Texto "A batalha final", primeira crônica de Luis Fernando Verissimo na Folha, em 23.mar.1979
Texto “A batalha final”, primeira crônica de Luis Fernando Verissimo na Folha, em 23.mar.1979

Em “Torre de Babel“, no dias de hoje, Verissimo seria criticado por citações religiosas e empresariais que permeiam a crônica. O humor presente no texto seria contestado por opiniões mais sérias, que não compreendessem a ironia.

Autor de mais de 30 livros, tem entre suas principais obras “O Analista de Bagé“, “A Velhinha de Taubaté“, “Humor nos Tempos do Collor“, “As Mentiras que os Homens Contam” e “O Melhor das Comédias da Vida Privada“.

Seus 80 anos serão celebrados até outubro com novas obras: “Verissimas: frases, reflexões e sacadas sobre quase tudo” (Objetiva, 210 páginas, R$ 44,90) e “As gêmeas de Moscou” (Companhia das Letrinhas, 32 páginas, R$ 34,90), a primeira incursão de Verissimo na literatura infantil.

Sobre chegar a oito décadas, Verissimo define assim (mantendo o famigerado humor) “A gente se distrai e, quando vê, está com 80 anos. Deveria haver um curso preparatório para a velhice”.