Há 5 anos, Steve Jobs deixava fãs da Apple orfãos

Por Alberto Nogueira

Nascido na Califórnia em 24 de fevereiro de 1955, fruto do namoro dos universitários Joanne Schieble e Abdulfattah Jandali, Steve Jobs foi colocado para adoção. A ideia de seus pais biológicos era que ele fosse adotado por um casal com formação universitária, mas não foi o que aconteceu. O bebê acabou com o metalúrgico Paul e sua esposa, Clara Jobs.

Jobs, assim como seus familiares adotivos, também não teve diploma universitário. Após terminar o colegial na Homestead High School, em Cupertino, onde conheceu seu então futuro parceiro Steve Wozniak, ele entrou para a Reed College, em Portland, mas abandonou os estudos com apenas seis meses.

Dois anos após desistir do ensino superior, em 1974, Jobs começou a trabalhar como designer na Atari, onde conseguiu juntar dinheiro para uma viagem à Índia. Lá se dedicou ao budismo e, antes de retornar ao trabalho na desenvolvedora de games, experimentou a droga alucinógena LSD.

Mas não foi na empresa de jogos que Jobs começou a provocar uma evolução na indústria tecnológica. Tudo teve início no número 2.066 da pacata rua Crist Drive, em Los Altos (Califórnia). A casa de seus pais.

Steve Jobs em conferência da Apple com um retrato antigo dele e de Steve Wozniak no telão ao fundo (Paul Sakuma - 27.jan.2010/Associated Press
Retrato antigo de Jobs e Wozniak ao fundo (Paul Sakuma – 27.jan.2010/Associated Press

Lá, com Steve Wozniak, fundou Apple Computer em 1º de abril de 1976. Os xarás montaram em um quarto o Apple 1, um computador pessoal que permitiria digitar comandos em um teclado e vê-los reproduzidos diretamente em um monitor de TV.

A produção do computador passou do quarto para a garagem e o produto foi à venda em uma única loja: a Byte Shop, em Mountain View, onde menos de 200 unidades foram vendidas.

O reconhecimento viria com o sucessor Apple 2, em 1977. Ao lado do PET 2001, da Commodore, e do TRS-80, da Tandy, a máquina de Jobs e Wosniak popularizou os desktops. Era a chegada dos computadores às pessoas comuns.

No ano seguinte ao lançamento do primeiro sucesso comercial da empresa, Chris-Ann Brennan, namorada de Jobs, dá a luz à Lisa. Eles terminam o relacionamento, e o empresário assume sua filha somente em meados dos anos 1980.

Em 1983, a Apple lançou seu novo computador: o Lisa –anos mais tarde Jobs confessou que o nome era uma homenagem à filha. O modelo foi o primeiro a trazer interface gráfica, mas o seu valor de US$ 9.995 foi fundamental para torná-lo um fracasso de vendas.

A reação da empresa foi rápida. Cerca de um ano depois foi anunciado o Macintosh. Com um preço bem menor que o seu antecessor (US$ 2,5 mil), o novo produto da Apple foi o primeiro PC com mouse e interface gráfica a ter vendagem alta.

Mas nem tudo eram flores na “maçã”. Em 1985, por divergências com o CEO John Sculley –colocado no cargo por ele–, Jobs deixou a empresa e fundou a NeXT Computer. No ano seguinte, comprou um braço da Lucasfilm e a transformou na Pixar, que anos depois faria a animação “Toy Story”.

Além de suas novas empresas, Jobs também tocou sua vida pessoal no período fora da Apple. Em 1991 casou-se com Laurene Powell e viu o seu filho Reed nascer. Com ela também teve duas filhas: Erin (1995) e Eve (1998).

Jobs apresenta o Apple 2 (Foto: Apple Computers Inc./Associated Press
Steve Jobs e o computador Apple 2 (Foto: Apple Computers Inc. – 1977/Associated Press

Como na expressão “o bom filho a casa torna”, em 1996 a Apple anuncia a compra da NeXT por US$ 400 milhões e a volta de Jobs. Em menos de um ano, o fundador se tornava CEO interino, com a missão de reverter o quadro de prejuízos consecutivos.

A guinada da empresa teve início em 1998, com o lançamento do iMac, por US$ 1,3 mil. Preço, configurações da máquina e o design foram fundamentais para a volta do lucro. Com os resultados, não demorou muito para que Jobs fosse efetivado como CEO, mesmo ele tendo relutado a assumir este posto em diversos momentos.

A década reservaria a Jobs o mérito de transformar a tecnologia em produtos atrativos, transformando pessoas em vorazes consumidores da marca. E ele se tornaria sinônimo dessa febre a cada apresentação de um novo item, sempre vestido com sua blusa preta de gola alta e sua calça jeans.

Em 2001, com o lançamento do iPod, a empresa ajudou na consolidação do formato MP3. E, com a criação da iTunes Music Store, sua loja virtual, dois anos depois, revolucionou a distribuição de música digital ao comercializar canções por US$ 0,99 cada.

O período de maior crescimento da Apple coincide com o drama pessoal vivido por Jobs, diagnosticado com um tipo de câncer raro no pâncreas, em 2004. Por um tempo ele se licenciou do cargo para tratar a doença.

No ano seguinte ao seu afastamento, em discurso proferido aos formandos da Universidade de Stanford, o designer e empresário contou como era ser desenganado –médicos lhe deram apenas seis meses de vida– e festejou sua melhora. Na ocasião citou uma frase tirada de um livro, e que seria seu lema pessoal: “stay hungry and stay foolish” (“continue com fome, continue bobo”), algo como “queira sempre aprender mais”.

Jobs apresenta o iPod (Foto:  Susan Ragan - 23.out.2001/Reuters)
Steve Jobs apresenta o iPod (Foto: Susan Ragan – 23.out.2001/Reuters)

De volta às atividades, Jobs viu no crescimento do mercado de smartphones uma chance de o iPod se tornar obsoleto. Com isso, decidiu criar um celular que também tivesse as funções do tocador digital. Nascia assim, em 2007, o primeiro iPhone.

No ano de 2010, em uma luta contra a doença, ele se afasta novamente da gigante da tecnologia. Desta vez para fazer um transplante de fígado.

Em seu retorno à Apple, a grande cabeça pensante e estrela dos lançamentos da empresa apresentou ao mundo o iPad. O aparelho que unia vídeo, música, livro e game em pouco tempo estava em diversas casas pelo mundo. O tablet virou instrumento de trabalho para alguns e entretenimento para outros.

Em 2011, mais uma vez se licenciou do cargo. Fez uma aparição na apresentação do iCloud —serviço de armazenamento em nuvem— em junho, mas sua magreza disputou a atenção com o produto. Cerca de dois meses depois renunciou ao comando da Apple e em seu lugar assumiu Tim Cook.

No dia 5 de outubro de 2011, Steve Jobs, criador da Apple e grande responsável por transformar a empresa de tecnologia e seus produtos em objeto de culto de seus consumidores morre em Palo Alto, no Estado da Califórnia, aos 56 anos.

A empresa do Vale do Silício fechou suas lojas em todo mundo durante três horas e transmitiu ao vivo para elas shows de Coldplay e Norah Jones como forma de homenagear seu criador. Em 14 de outubro, dia do lançamento do iPhone 4S, fãs também fizeram tributos a Jobs, com fotos deles próprios vestindo a tradicional blusa preta de gola rulê e calça jeans, marcas registradas do designer e empresário visionário.

Com suas tradicionais vestimentas e mais magro que o normal, Steve Jobs mostra o iPad 2 ao público, em conferência da Apple (Foto: Beck Diefenbach - 2.mar.2011/Reuters)
Com suas vestes tradicionais e mais magro que o normal, Jobs mostra o iPad 2 ao público (Foto: Beck Diefenbach – 2.mar.2011/Reuters)