Há 40 anos, ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ estreava e levava milhões às salas de cinema

Por EDGAR SILVA

Há 40 anos estreava nos cinemas “Dona Flor e Seus Dois Maridos“.

Baseado na obra homônima (que neste ano completou 50 anos de seu lançamento) do escritor Jorge Amado, o filme foi protagonizado por Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, sob a direção de Bruno Barreto.

A história gira em torno de Dona Flor (Sonia Braga), casada com o malandro Vadinho (José Wilker), que, numa vida regada a noitadas e jogatina nas boates de Salvador, morre precocemente.

Agora, viúva, Dona Flor se casa novamente. O companheiro é o oposto de Vadinho, um pacato e recatado farmacêutico da cidade, Teodoro (Mauro Mendonça). Apesar da devoção de Teodoro, Dona Flor sente falta de Vadinho, que, apesar de boêmio, era um ótimo amante.

A vida conjugal morna e os excessivos “bons modos” do atual marido a faz evocar a presença de Vadinho, que volta como fantasma libidinoso.

Repleta de bom humor e atuações convincentes, o filme foi bem recebido pelo público, que correu aos cinemas para prestigiar a obra de Jorge Amado, agora, na telona, pelas mãos de Bruno Barreto. No entanto esta não foi a opinião expressada na Folha.

Três dias após a estreia, em 25 de novembro de 1976, saia no alto da última página do caderno Ilustrada a crítica “Dona Flor, nem como postal“. No primeiro parágrafo, o crítico Wladyr Nader deixava claro sua negativa quanto ao longa recém lançado.

“Pasticho de tantas obras certamente menores, que não passaram de simples exaltação à Bahia e a seu pitoresco, a fita é o infeliz encontro entre a grandiloquência que não serve para nada e uma concepção de cultura tirada de conceitos mal diferidos.”

NO CINEMA, NA TV E NO TEATRO

Apesar da forte crítica, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” foi um sucesso de público e alcançou o posto de filme mais visto na história do cinema nacional por 34 anos. Sua bilheteria de 10,7 milhões de pagantes só foi superada em 2010 por “Tropa de Elite 2”, com 11,1 milhões de pagantes –e este por “Os 10 Mandamentos”, neste ano, com 11,3 milhões de pagantes.

No final dos anos 90 a obra de Jorge Amado rompeu o cinema e chegou a televisão. Em 1998, a minissérie homônima, com 20 capítulos e estrelada por Giulia Gam, Edson Celulari e Marco Nanini, chegava aos lares brasileiros. Em 2009 foi a vez do teatro apresentar uma leitura de “Dona Flor” –Carol Castro foi a primeira protagonista, depois vieram Fernanda Paes Leme e Fernanda Vasconcelos.

Para demonstrar seu caráter longevo está previsto para 2017 o lançamento do remake de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, com Juliana Paes, Leandro Hassum e Marcelo Faria. A direção é de Pedro Vasconcelos, que havia dirigido Carol Castro no teatro.

Cena do filme "Dona Flor e seus Dois Maridos". (Foto: Divulgação)
Cena do filme “Dona Flor e seus Dois Maridos” com estreia prevista para 2017. (Foto: Divulgação)

A crítica pode não ter sido favorável ao filme quando de sua estreia, mas o tempo mostrou que é um clássico do cinema nacional (a Abraccine o colocou na lista dos “100 melhores filmes brasileiros”).

Afinal, meio século de livro e 40 anos de filme são números que vão além das bilheterias.