Há 85 anos, nascia o escritor Umberto Eco

Por EDGAR SILVA

Há 85 anos, nascia em Alexandria, norte da Itália, Umberto Eco, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo. Também escritor e ensaísta, Eco é mundialmente conhecido por seus trabalhos acadêmicos, dentre eles “Apocalípticos e Integrados” (1964) e “Tratado Geral de Semiótica” (1975).

Entretanto sua obra máxima é “O Nome da Rosa” (1980), traduzida para 30 idiomas e com vendas que ultrapassam os 28 milhões de exemplares. Eco definiu o livro dizendo que “até o leitor ingênuo percebeu que se encontrava diante de uma história de labirintos”.

A adaptação para o cinema, dirigida pelo francês Jean-Jacques Annaud e estrelada por Sean Connery (interpretando o frade franciscano Guilherme de Baskerville), deixou a obra ainda mais conhecida.

"O Nome da Rosa", de Umberto Eco (Foto: Eduardo Knapp - 24.mai.2006/Folhapress)
“O Nome da Rosa”, de Umberto Eco (Foto: Eduardo Knapp – 24.mai.2006/Folhapress)

Apesar disso, Eco nunca escondeu que não gostou do longa. Ao jornal inglês “The Guardian”, declarou que “um filme não pode fazer a mesma coisa que um livro. Um livro como aquele era um sanduíche com peru, salame, tomate, queijo e alface. Mas o filme precisa escolher só o queijo e o alface, eliminando todo o resto: o lado teológico, o lado político etc”.

Eco estudou na Universidade de Turim, onde escreveu sua tese sobre o teólogo Tomás de Aquino e se formou em 1954. Ainda na década de 1950 foi editor de cultura para a emissora estatal italiana RAI.

No meio cultural conheceu diversos artistas que o influenciaram a seguir com a literatura. Ajudou a formar o Gruppo 63, coletivo literário que analisa a cultura de massa.

Como escritor utilizava em suas obras temas que lhe eram interessantes e que serviam como ingredientes às histórias. Em tramas intrincadas de personagens estranhos não faltavam conspirações, ciência, história medieval, religião, misticismo e, claro, semiótica.

Com essa fórmula dois títulos foram destaque: “O Pêndulo de Foucault” (1988) e “O Cemitério de Praga” (2010).

Como filósofo, além das contribuições para o campo da semiótica, também escreveu obras notáveis que discutiram a leitura e o papel do leitor. São referências mundiais as publicações “Obra Aberta” (1962), “Lector in Fabula” (1979) e “Os Limites da Interpretação” (1990).

Transitando entre a academia (foi professor na Universidade de Bolonha e fundador do Instituto das Disciplinas de Comunicação na instituição) e o meio cultural, Eco é dos raros escritores com respeito no meio intelectual.

Morreu em 19 de fevereiro de 2016, em Milão, de causas não reveladas.