Há 75 anos, nascia o astrofísico Stephen Hawking

Por Luiz Carlos Ferreira

Nascido em Oxford (Inglaterra) em 8 de janeiro de 1942, em meio a Segunda Guerra, o astrofísico vivo mais famoso do mundo, Stephen William Hawking completa hoje 75 anos de vida.

Caçula de quatro irmãos, Hawking tornou-se mundialmente conhecido em 1974, com a publicação de estudos que argumentavam que a interação entre a teoria da relatividade – de Einstein -, com a mecânica quântica, gerava efeitos de radiação nos buracos negros. Em sua tese, o físico afirmava que o processo entre as duas teorias causava evaporação e consequentemente o desaparecimento dos buracos ao longo do tempo. Esse fenômeno ficou conhecido como radiação Hawking.

Onze anos antes, em 1963, aos 21 anos e recém-graduado em física pela Universidade de Oxford, o cientista fora diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) – ou doença de Lou Gehrig, transtorno neurodegenerativo que causa a perda progressiva da coordenação muscular e dos movimentos do corpo, com sobrevida estimada em quatro anos.

Em 1965, mesmo com a probabilidade de morte anunciada, Hawking se casa com Jane Beryl – amiga de uma de suas irmãs-, numa união que durou 30 anos. Do casamento vieram três filhos: Robert (1967), Lucy (1970) e Tymothy, em 1979, ano em que o físico foi alçado ao prestigiado posto de professor lucasiano da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, na cátedra que havia sido ocupada por Issac Newton (1643-1727). Essa parte da vida do cientista é contada no filme “A Teoria de Tudo”, do roteirista Anthony McCarten, lançado em 2014.

Além da dependência de uma cadeira de rodas para se locomover, que o acompanha desde os primeiros anos da doença, uma traqueostomia em 1985, feita às pressas, afetou sua fala, e ele passou a se comunicar por meio de um sintetizador de voz.

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Três anos depois, em 1988, Hawking lança o primeiro de vários livros, o best-seller “Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros”, que vendeu mais de 10 milhões de exemplares. Na publicação, transformada em documentário pelo diretor americano Errol Morris, Hawking tenta explicar aos leigos suas teorias sobre universo.

A tentativa de simplificar a complexidade da ciência moderna também ganhou espaço na TV, quando, em 1999, o astrofísico passou a apresentar a série “O Universo de Stephen Hawking”, no canal pago Discovery Channel.

No dia 21 de julho de 2004, na 17ª Conferência sobre Relatividade Geral e Gravitação, em Dublin, na Irlanda, para um público de mais de 500 astrofísicos, Stephen Hawking derrubou uma de suas teorias estudadas no anos 70, quando afirmava que os buracos negros destruíam tudo o que engoliam. Desta vez o físico concluiu que os buracos negros não destroem as matérias ingeridas, e sim as regurgitam junto com energia “numa forma distorcida”, conforme publicado na Folha no dia seguinte ao evento.

Em 2009, aos 67 anos, Hawking se aposentou da cátedra da Universidade de Cambridge. Dois anos depois, em palestra na Universidade do Arizona (EUA),  intitulada “Minha Breve História”, Stephen Hawking falou do prazer em viver pela ciência. “Eu não a compararia ao sexo”, disse, “mas dura mais tempo”.

Um dos últimos feitos do cientista foi ter ganhado mais de dois milhões de seguidores no ‘Twitter’ chinês Weibo, no mesmo dia em que criou a conta, em abril de 2016.