Há cinco anos, transatlântico naufragava na Itália

Por EDGAR SILVA

Há cinco anos, o transatlântico italiano Costa Concordia se chocou contra pedras na ilha de Giglio, região da Toscana, matando 32 pessoas.

Três meses antes de completar o centenário do trágico acidente com o transatlântico britânico Titanic, a comparação foi inevitável. Colisão, navio adernando e naufrágio à noite. “Foi terrível, parecia que eu estava no Titanic, vi gente desesperada em torno de mim”, disse o italiano Stefano, turista que estava no Costa Concordia.

As semelhanças se desfazem quando comparadas as dimensões, número de pessoas a bordo e mortos. A embarcação britânica media 260m e pesava 53.500 toneladas, levava 2.240 pessoas e destas 1.523 morreram. Já a italiana possuía 290m e 114.500 toneladas. Das 4.229 pessoas a bordo 32 morreram.

A tragédia recaiu sobre Francesco Schettino, comandante do navio, que foi acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar), de responsabilidade pelo naufrágio e abandono da embarcação antes das operações de resgate.

O presidente da Costa Cruzeiros –empresa proprietária do navio–, Pier Luigi Foschi, culpou Schettino pelo desastre. “O fato de o cruzeiro ter saído de rota deve-se exclusivamente a uma manobra do comandante, que não foi autorizada e era totalmente desconhecida pela empresa”, declarou Foschi.

Quatro dias após a tragédia, áudios divulgados pelo jornal italiano “Corriere della Sera” revelaram que Schettino abandonou o Costa Concordia. Uma conversa telefônica entre ele e o comandante da Capitania dos Portos de Livorno, Gregorio de Falco, confirmou a suspeita que havia sobre sua negligência no desastre.

O oficial da Marinha italiana Gregorio De Falco, na Ilha de Giglio (Foto: Foto: Filippo Monteforteg - 13.jan.2013/AFP)
O oficial da Marinha italiana Gregorio De Falco, na Ilha de Giglio, durante o primeiro ano de aniversário do acidente com o Costa Concordia (Foto: Filippo Monteforteg – 13.jan.2013/AFP)

CAPITANIA DOS PORTOS

Schettino se recusou a retornar ao navio e responder quantas pessoas ainda estavam a bordo, embora De Falco lhe desse ordens para voltar imediatamente. Em certo momento, o oficial da capitania dos portos se irrita e diz “Escute, Schettino, você se salvou, mas vou fazer com que você tenha problemas, vou fazer com que você pague por isso! Volte ao navio, caralho!”

Em setembro de 2014, Gregorio De Falco era afastado de suas funções de comando e obrigado a assumir funções administrativas. Enquanto isso, o responsável pelo naufrágio, Francesco Schettino era convidado a dar uma palestra em um seminário de criminologia da Universidade La Sapienza, em Roma.

“É como se um professor, amante da didática e da pedagogia, tivesse que deixar a cátedra”, disse à época o oficial sobre seu afastamento de um posto de chefia.

NAVIO IÇADO E JULGAMENTO

No final de e 2013, numa operação que durou quase 20 horas, o Costa Concordia foi estabilizado e içado. Uma empresa americana e uma italiana realizaram a operação, considerada delicada pois havia risco de rompimento do casco. Autoridades italianas acompanharam os trabalhos para identificar possíveis danos ambientais, como derramamento de óleo no mar.

Três anos após o naufrágio, a Justiça da Itália chegou a um veredito. Francesco Schettino foi condenado por homicídio culposo e abandono de embarcação. A sentença foi de 16 anos e um mês de prisão. Pena inferior a que foi pedida pelos promotores, que era de 26 anos e três meses. Schettino não esteve presente quando o juiz Giovanni Puliatti leu o veredito.

Francesco Schettino no tribunal de Grosseto, quando teve sua sentença definida (Foto: , Feb. 11, 2015.  (Foto: Gregorio Borgia - 11.fev.2015/Associated Press)
Francesco Schettino no tribunal de Grosseto, quando teve sua sentença definida (Foto: Gregorio Borgia – 11.fev.2015/Associated Press)