Há 35 anos, Brasil perdia a cantora Elis Regina

Por Alberto Nogueira

No dia 19 de janeiro de 1982, apagava-se a luz de uma das maiores estrelas da música brasileira: Elis Regina.

Nascida em o Porto Alegre, em 17 de março de 1945, a primogênita do casal Romeu Costa e Ercy Carvalho Costa desde pequena mostrava seus dotes artísticos.

Aos sete anos iria se apresentar no programa do “Clube do Guri”, da Rádio Farroupilha, mas na hora recusou cantar. Sua estreia como cantora seria no mesmo espaço, mas somente em 1956.

Depois disso, Elis trabalhou no programa, fez aulas de piano e, em 1960, gravou seu primeiro registro fonográfico com as músicas “Dá Sorte” e “Sonhando”, pela Continental.

Foi na mesma gravadora que no ano seguinte a intérprete lançou seu primeiro disco de estúdio, “Viva a Brotolândia”. Com o LP, Elis foi alçada em uma grande festa ao posto de “Rainha do Disco”.

Nos anos seguintes vieram outros discos, como “Poema” (1962) e “O Bem do Amor” (1963), prêmios, apresentações e uma mudança para o Rio, onde trabalhou na TV, no programa “Noites de Gala” ao lado de nomes como Jorge Benjor e Wilson Simonal.

Sua projeção nacional ganhou maior força quando venceu o 1º Festival Nacional de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, com “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Morais. No mesmo ano, foi eleita Melhor Cantora de 1964 no prêmio Roquete Pinto, na TV Record, emissora onde tinha um programa semanal com o parceiro Jair Rodrigues.

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Dali em diante vieram espetáculos nacionais e internacionais, outras grandes parcerias, como a com Tom Jobim e Baden Powell, e dezenas de álbuns lançados. A brasileira foi chamada de “nova Ella Fitzgerald” pela crítica europeia.

A cantora, com sua bela voz e grande presença de palco -sem esquecer do rodopiar de braços desengonçados-, passou por diversos estilos musicais, como a MPB, a bossa nova e o Samba, fazendo sucesso no Brasil e no mundo. Elis vendeu mais de 4 milhões de discos em seus 18 anos de carreira.

Apelidada de Pimentinha, por ter o gênio forte e ser muito competitiva, Elis sofreu também com a repressão da ditadura no país. Em uma crítica ao governo militar, chegou a dizer que o Brasil era “governado por gorilas”.

Por ter sido muito popular, acredita-se que isso a tenha afastado da prisão. Por outro lado, em um momento, foi obrigada por autoridades a cantar o hino nacional em um evento de militares.

A apresentação fez com que o cartunista Henfil, notório opositor do regime militar, publicasse uma charge no jornal O Pasquim “enterrando” a cantora, a qual chamou de Elis “Regente”.

Anos mais tarde, em 1979, lançaria a música “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc. A canção pedia “a volta do irmão do Henfil”, o sociólogo e ativista Hebert José de Sousa, o Betinho, na época exilado no México. O cartunista disse que quando ouviu a letra, percebeu que “a anistia ia sair”.

VIDA PESSOAL

Aos 22 anos de idade, a cantora se casou e viveu no Rio com o compositor e produtor musical Ronaldo Bôscoli, 16 anos mais velho do que ela. Com ele teve seu primeiro filho, João Marcelo.

Em 1972, após idas e vindas de um conturbado relacionamento, o casal se divorciou. Dois anos depois, uniu-se ao músico César Camargo Mariano, com quem mudou-se para São Paulo. Tiveram dois filhos, Pedro Mariano e Maria Rita. O casamento durou nove anos.

Elis Regina morreu em 19 de janeiro de 1982, após uma overdose de cocaína, potencializada pela mistura com bebidas alcoólicas.

Colaborou EDGAR SILVA