Do café às greves, porto de Santos faz 125 anos

Por Alberto Nogueira

O porto de Santos, que figura entre os maiores em movimentação de cargas na América Latina, muitas vezes em primeiro lugar, completa 125 anos nesta quinta-feira (2).

Inaugurado em 1892, com apenas 260 m de cais, o porto foi fundamental para a exportação brasileira de café e outras culturas, além de ter contribuído para o desenvolvimento da cidade de Santos e do Estado de São Paulo.

No local também atracaram navios que trouxeram imigrantes de diversos países a São Paulo, em um movimento que teve seu auge no final do século 19, parte em razão da expansão do cultivo do café em terras paulistas.

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Folha de 18 de março de 1980 traz em sua capa o porto de Santos paralisado e trabalhadores em assembleia

Ao longo de sua existência, o complexo foi palco de grandes paralisações, como em março de 1980, quando 25 mil trabalhadores portuários cruzaram os braços por cinco dias em busca de melhores salários. A parada causou prejuízos à economia do país. Na ocasião, o ganho com exportações era de 1,3 bilhão de cruzeiros por dia, segundo a Folha.

O governo militar considerou a greve ilegal e enviou fuzileiros navais para o porto, caso necessitasse intervir. Após dias de negociação entre os empregados e a Companhia Docas de Santos, na época dona da concessão, as atividades foram retomadas.

No final de 1980, com o término da licença de exploração do complexo portuário, foi criada a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), uma empresa de economia mista responsável por administrá-lo, vinculada ao governo federal.

De acordo com administradora, da fundação oficial até hoje, o porto de Santos movimentou mais de um bilhão de toneladas de diversos tipos de cargas. Só para o ano de 2017, são previstos 120,6 milhões de toneladas, maior que o recorde anterior de 119,9 milhões, atingido em 2015.

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