OUTROS CARNAVAIS: Há mais de um século, máscaras marcam a folia no agreste pernambucano

Por EDGAR SILVA

Com mais de um século de existência, o Carnaval dos papangus, personagem mascarado, em Bezerros (a 100 km de Recife), está entre as festas mais tradicionais do Brasil. E já foi considerado por turistas o melhor lugar para quem procura uma festa de rua sem cordão de isolamento, trio elétrico e multidão.

A tradição dos papangus começou em 1905, com uma brincadeira de um grupo de amigos que saíam mascarados para visitar parentes sem serem reconhecidos e e eram recebidos com angu, prato feito à base de fubá e típico do agreste pernambucano.

A cidade recebe cerca de 300 mil turistas todos os anos para pular o Carnaval nas ruas de Bezerros –um número cinco vezes maior do que a sua população. A produção de máscaras é iniciada meses antes do evento, e cada artesão chega a produzir aproximadamente 300 peças por semana.

Ao longo das décadas as máscaras foram mudando. Antes eram feitas com papel de embrulhar charque e papelão, depois passaram a ser moldadas em papel machê. As mais tradicionais, pintadas de branco, mantêm os rostos inexpressivos. As estilizadas são coloridas, risonhas e lembram as máscaras de Veneza.

A graça está no anonimato dos mascarados. Os papangus se misturam entre os foliões com os rostos e corpos cobertos. Eles não se mostram nem dizem seus nomes até o fim da folia, quando então encerram o anonimato.

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