OUTROS CARNAVAIS: Em 2002, Sargentelli, famoso por suas dançarinas, morreu após homenagem em novela

Por Luiz Carlos Ferreira

E lá se vão quase 15 anos sem um dos grandes representantes e divulgadores do samba e do Carnaval no mundo.

Radialista, jornalista, apresentador de TV e empresário do entretenimento, Oswaldo Sargentelli nasceu em 8 de dezembro de 1924, próximo ao bairro boêmio da Lapa, no Rio.

Era sobrinho de Lamartine Babo (1903-1963), compositor de 11 hinos de clubes de futebol do Rio, além das marchinhas de carnaval “Linda morena” e “O teu cabelo não nega”, há anos alvo de discussão racial e hoje relegada por alguns blocos carnavalescos.

Sargentelli iniciou sua carreira no final dos anos 40, como locutor esportivo na rádio Nacional. Na televisão, entre os anos de 1957 e 1964, apresentou na TV Rio o polêmico “O Preto no Branco”, programa de entrevista censurado no regime militar pelo teor político das perguntas dirigidas aos convidados.

O EMPRESÁRIO DO SAMBA

As circunstâncias o levaram a apresentar outro programa na TV, o “Viva meu samba”. Na época, Sargentelli teve a ideia de reunir sambistas dos morros cariocas para shows pelo país. Sua primeira contratada foi a cantora Clementina de Jesus (1902-1987).

Em 1969 abriu a casa de shows Sambão, em Copacabana. No mesmo ano iniciou a contratação de jovens dançarinas, que se tornaram o grande destaque em suas apresentações. No início dos anos 70 criou a boate “Oba-oba”, que sediada no Rio, ganhou uma filial em São Paulo, na av. Paulista.

Como empresário, Sargentelli dizia ter trabalhado com mais de duzentas mulheres, as quais eram chamadas de “mulatas”, termo considerado racista em sua etimologia.

Ainda nos anos 70, renomado como o rei das mulatas, do borogodó, do telecoteco e do ziriguidum, conciliava a bem sucedida carreira empresarial com a televisiva ao apresentar os programas de entrevista “Pingo nos Is” e os também polêmicos “Vox Populi” (TV Cultura) e “Abertura”, na extinta Tupi.

Em janeiro de 1985, foi denunciado pela Comissão de Valorização e Integração Política do Negro, no Rio Grande do Sul, por exploração da mulher negra e por promover a prostituição de luxo. Como não houve provas, se livrou da denúncia. Na época fazia temporada de grande êxito na Europa, principalmente na Itália. Ao todo esteve em quase 40 países.

A  DERRADEIRA HOMENAGEM 

Com shows menos requisitados nos anos 90, manteve na TV Manchete o programa “Botequim do Samba”, onde recebia integrantes das escolas de samba do Rio. Em seu último ano de vida, em 2002, apresentava na TVE o programa de entrevistas “A Verdade”.

No dia 13 de abril daquele ano, numa participação especial em sua homenagem na novela global “O Clone”, ao encenar o reencontro com sua mais famosa dançarina, a atriz Solange Couto -que na trama interpretava a proprietária de um bar num bairro suburbano do Rio -, emocionado, teve um infarto e morreu instantes depois, aos 78 anos, no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Viúvo, deixou sete filhos e oito netos.