Há cinco anos, Ricardo Teixeira renunciava à CBF

Por EDGAR SILVA

Em 12 de março de 2012, Ricardo Teixeira renunciava à presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), cargo que ocupou por mais de 23 anos.

Ele foi eleito em 16 de janeiro de 1989, por aclamação, para um mandato de três anos. À época, Teixeira conseguiu o apoio de todas as federações de futebol nacionais e, com a retirada da chapa de Octávio Pinto Magalhães (que tentava a reeleição), obteve facilmente a vitória.

Homem do mercado financeiro, assumiu a entidade, após três anos de intensa campanha liderada por João Havelange, seu então sogro, ex-chefão da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) e presidente da Fifa entre 1974 e 1998.

Durante mais de 20 anos presidindo a CBF, Teixeira colheu alguns dissabores –como a eliminação precoce no Mundial de 1990, na Itália, caindo nas oitavas de final para a Argentina, e a tão sonhada medalha olímpica–, mas também vitórias importantes –como as cinco Copas América (89, 97, 99, 2004 e 2007), três Copas das Confederações (97, 2005 e 2009) e duas Copas do Mundo (94 e 2002).

A escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 é apontada como a possível maior vitória da era Teixeira. A decisão foi anunciada em outubro de 2007, em Zurique, na Suíça.

Teixeira saiu após série de informações reveladas pela Folha e outros veículos que o vincularam à empresa Ailanto Marketing, investigada por desvio de dinheiro público na organização do amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008, no Distrito Federal.

O episódio por si só não encerra o ocaso do ex-presidente da CBF. Acusações de recebimento de propina da extinta ISL (ex-agência de marketing da Fifa, falida em 2001), sem diálogo com a ex-presidente Dilma Rousseff e desavenças com o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, ajudaram a desgastar sua imagem e poder.

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Ainda assim, seu declínio não deveu-se apenas a esses fatos. Mais de uma década antes da renúncia, em 2000, Teixeira enfrentou duas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), a da CBF/Nike, na Câmara, e a do Futebol, no Senado. Porém, o título da seleção no Mundial de 2002, no Japão, segundo ele próprio, serviu para lhe dar força e manter-se à frente da CBF.

O pentacampeonato mundial, dois anos após as CPIs, sustentou Teixeira no posto de comandante máximo do futebol brasileiro. Mas outros reveses da seleção brasileira, como na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e da Copa América de 2011, na Argentina –por Holanda e Paraguai, respectivamente, nas quartas de final–, demonstraram que o ambiente vitorioso a que se acostumara dava sinais de estar ruindo.

Em sua carta de renúncia dizia que “a mesma paixão que empolga, consome. A injustiça generalizada, machuca. O espírito é forte, mas o corpo paga a conta. Me exige agora cuidar da saúde”.

Na ocasião, os cuidados com a saúde a que Teixeira se referia era uma diverticulite (inflamação no cólon, órgão ligado ao intestino), que deu motivo para seu afastamento, sem citar os problemas com a justiça.

Saiu de cena e deixou o mais velho de seus cinco vices, José Maria Marin, que era ex-vice presidente da região sudeste, como seu substituto.

Teixeira se mudou para a Miami no mesmo ano da renúncia e comprou uma mansão de mais de 600 metros quadrados por US$ 7,4 milhões, mas vendeu a propriedade em 2015. Voltou a morar no Brasil após o FBI denunciá-lo pela participação no esquema de recebimento de propina na venda de direitos de torneios no Brasil e no exterior.