Há 50 anos: após três dias ininterruptos de chuvas, Caraguatatuba sofreu pior tragédia de sua história

Por Cristiano Cipriano Pombo

Foram três dias de chuva, ininterruptamente. E, depois, a pior tragédia já vivida por Caraguatatuba (SP).

Com chuvas do dia 15 até o dia 18 de março de 1967, a cidade do litoral norte paulista sofreu com deslizamentos de terra e um mar de lama que varreu o município de ponta a ponta.

Para ter uma dimensão do estrago, a onda de destruição deixou saldo de 436 mortes na cidade, que em 1970 abrigava, informa o IBGE, 15.073 pessoas.

De acordo com a professora Luci Hidalgo Nunes, doutora do Departamento de Geografia da Unicamp (Universidade de Campinas), os dados sobre o episódio, assim como a da região serrana do Rio em 2011, são estimados por conta das dificuldades, à época, para localizar os corpos.

Quem viveu a tragédia acredita que mais de 3.000 pessoas foram mortas.

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Além de trágico, o episódio fez com que os principais acessos à cidade fossem interditados, tanto pela lama que cobria a estrada, quanto pelo desaparecimento de muitos de seus trechos, como do quilômetro 194 ao quilômetro 199 da Paraibuna-Caraguatatuba, onde trinta barreiras caíram -no quilômetro 202, a pista sumiu.

Isso fez com que as equipes de resgate e até a imprensa tivessem dificuldade para chegar ao município. A única comunicação, um dia após a tragédia, era feita pelo radioamador Thomaz Camanis Filho, de prefixo ZAUN, que informava às 10h o cenário catastrófico -às 15h, daquele dia, a energia desapareceu após incêndio no gerador da cidade. Também atuaram os radioamadores Luis Gomes Carvalho, de Santos, e Nelson Beirute e Osvaldo Sidnei Cunha, do gabinete da Secretaria de Estado da Segurança.

Àquela altura, a partir dos relatos e dos apelos feitos pelo prefeito Geraldo Nogueira da Silva, começou uma verdadeira operação de guerra para tentar chegar à cidade e fazê-la voltar à normalidade. Marinha, Força Pública e efetivos do governo e de cidades próximas foram mobilizados para dar suporte à população, que chegou a sofrer com falta de alimento e de água potável.

Além de campanhas de vacinação e de doação de alimentos e medicamentos, o Estado e o governo federal intervieram à época para sanar os efeitos da catástrofe. A tragédia, inclusive, aliada a estragos semelhantes causados no Rio, em 1966, serviu para estruturar a Defesa Civil no Brasil.