Há 35 anos, morria o piloto Gilles Villeneuve sem o título da F-1, mas marcado por ousadia e apelidos

Por EDGAR SILVA

Há 35 anos, morria o piloto de F-1 Gilles Villeneuve, na véspera do Grande Prêmio da Bélgica.

Joseph Gilles Henri Villeneuve era canadense, nascido na província de Quebec. Disputou 68 corridas, venceu seis e não conquistou nenhum campeonato.

Considerado um dos pilotos mais arrojados de sua época, Villeneuve também colecionou críticas quanto à maneira de pilotar. Era considerado intempestivo e imprudente ao dirigir, tornando-se especialista em quebrar motores e destruir carrocerias.

Ganhou fama e apelido de “aviador das pistas” ou “bombeiro alucinado”. Entre novembro de 1980 e setembro de 1981 o piloto canadense destruiu 35 motores, avaliados (à época) em US$ 45 mil cada um.

Gilles Villeneuve com a Ferrari nº12 durante treino em Interlagos (Oswaldo Kaize – 2.fev.1979/Folhapress)

Um desses trágicos acidentes aconteceu cinco anos antes de sua morte, no Grande Prêmio do Japão.

Na terceira volta da corrida, Villeneuve bateu com sua Ferrari na traseira da Tyrrel do piloto Ronnie Peterson (1944 – 1978). Devido ao impacto, o carro de Villeneuve voou por cima de Peterson e matou um policial e um fotógrafo, ferindo outras dez pessoas.

Apesar da fama reversa, sua ousadia e estilo de pilotagem o levaram a protagonizar momentos emocionantes na principal categoria do automobilismo mundial.

Em 22 de junho de 1981 a Folha publicou no caderno de Esporte o título “Villeneuve, o herói de um GP emocionante”. Tratava-se de sua vitória no Grande Prêmio da Espanha, a última de sua carreira, disputado em Jarama.

Gilles Villeneuve durante GP de Mônaco, que venceu em maio de 1981 (31.mai.1981/Associated Press)

O piloto canadense venceu a prova, segundo o jornal, “acossado por quatro adversários que terminaram a prova no mesmo segundo”.

Villeneuve descreveu a vitória dizendo: “O tempo inteiro foi menos duro do que em Mônaco. Aliás, até me pareceu um pouco mais divertido”.

A morte do piloto, aos 32 anos, no último treino para o GP da Bélgica em 8 de maio de 1982, no autódromo de Zolder foi chocante. Ao chocar-se contra a roda traseira do March de Jochen Mass, a 250 km/h, o carro deu várias voltas no ar.

Villeneuve foi levado de helicóptero imediatamente para a Clínica Saint Raphael, em Louvain, mas, para os médicos que o socorreram, ele já estava “clinicamente morto”.

Oficiais de prova examinam os restos da Ferrari de Gilles Villeneuve após acidente na Bélgica (8.mai.1982-Associated Press)

Quando seu filho Jacques foi campeão da F-1, em 1997, no GP da Europa, no circuito de Jerez de La Frontera (Espanha), manteve a atitude de não falar do pai. Afirmou que era um assunto privado e não merecia atenção da mídia.

Mesmo com o êxito de Jacques, Gilles continuava a ser lembrado. O enviado do jornal ao circuito descreveu Villeneuve pai como “um dos mais espetaculares pilotos da história da categoria, capaz de ultrapassagens audazes e duelos mortais”.

Gilles Villeneuve vaticinou que, “quando se faz este trabalho, não se pode ter medo. No dia em que sentir a necessidade de ser prudente, de não correr riscos para vencer um Grande Prêmio, nada mais terei a fazer nos circuitos de F-1”.

A fama, as ultrapassagens, os “voos”, o sorriso ao final das vitórias e os apelidos dão conta disso.