OUTROS ROCK IN RIO: No primeiro festival, em 1985, a lama também se tornou atração principal

Por EDGAR SILVA

Há quem diga que não é show de rock uma apresentação sem chuva e que o volume seja tal que transforme toda a paisagem em lama.

Foi assim num dos mais famosos festivais de música da história, o Woodstock, em 1969, onde, além de Janis Joplin, Jimi Hendrix e Joe Cocker no palco, algumas das imagens que ficaram na memória das pessoas foram a de jovens dançando e pulando enlameados.

O mesmo aconteceu no primeiro Rock in Rio, em 1985. Nada poderia ser mais emblemático do que as fortes chuvas de janeiro que transformaram tudo em lama, para dar ao evento ares com o que foi comparado, justamente o Woodstock.

Embora os “metaleiros” (termo criado na época do Rock in Rio) e afins não tenham se importado com isso, Roberto Medina (empresário e idealizador do evento) não gostou e cuidou para que nada semelhante acontecesse nas edições seguintes.

Em 1991, na segunda edição e palco de nove dias de festival, o gramado do Maracanã recebeu um tablado. Dez anos depois, no terceiro festival, foi construída uma nova Cidade do Rock, no Riocentro (a primeira foi demolida por ordem de Leonel Brizola, então governador do Rio de Janeiro), e a drenagem do terreno foi feita para evitar o lamaçal da primeira edição.

Pontos positivos anotados pela Ilustrada nos primeiros dias do Rock in Rio 2011

A partir de 2011, o Rock in Rio passou a ser realizado no mês de setembro, evitando assim qualquer caos climático –com o aditivo de usar grama artificial. Mas deixou roqueiros com saudades da chuva e de seus efeitos.

O colunista da Folha André Barcinski contextualizou o que foi a experiência da primeira edição que teve atrações de primeiro nível e a lama como personagem principal no texto “Lama foi a coqueluche na primeira edição do Rock in Rio”.

“Imagine uma tempestade de verão carioca desabando enquanto 200 mil pessoas pulavam sem parar durante dez dias. Foi o maior mousse de areia da história”, explicou.

Tony Goes, colunista do F5, também esteve no primeiro Rock in Rio e falou da experiência. “Assisti a shows incríveis do Queen, dos B-52’s e da Nina Hagen, mas minha lembrança mais forte é mesmo a lama. Os produtores, ainda inexperientes, plantaram um imenso gramado, que não resistiu às chuvas torrenciais de janeiro”.

Trinta anos depois, na sexta edição brasileira, estava à venda a lama do primeiro festival. “É uma brincadeira com o saudosista”, explicou Roberta Medina, filha do idealizador do Rock in Rio.

Como não querer que chova num show de rock?

FICHA
Rock in Rio – 1ª edição
Data: de 11 a 20 de janeiro de 1985
Atrações internacionais: Queen, Iron Maiden, AC/DC, Nina Hagen, B-52’s, James Taylor, Rod Stewart, Ozzy Osbourne, Whitesnake e Scorpions
Atrações nacionais: Gilberto Gil, Barão Vermelho, Erasmo Carlos, Blitz, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Rita Lee, Alceu Valença, Moraes Moreira, Elba Ramalho e Ney Matogrosso

Lama do primeiro festival vendida na loja oficial do Rock in Rio, em 2015 (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

 

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