Após obter título dos pesados há 65 anos, Rocky Marciano ‘massacrou’ Ali em ‘superluta’

Por FERNANDO ITOKAZU

O pugilista Rocky Marciano não foi o mais forte nem o mais alto nem o mais técnico a conquistar o título dos pesos-pesados, mas é o único campeão invicto na história da categoria mais nobre da nobre arte.

Episódio importante da carreira do americano que venceu todas suas 49 lutas, sendo 43 por nocaute, aconteceu no dia 23 de setembro de 1952, quando ele conquistou o título dos pesados. Após sofrer uma queda no início do combate, Marciano se recuperou e nocauteou o então campeão, Jersey Joe Walcott, no 13º assalto, na Filadélfia.

Por sua atuação, Marciano foi considerado pela Associação dos Cronistas de Boxe de Nova York a personalidade que mais contribuiu para a modalidade em 1952.

Filho de um imigrante italiano, Rocco Marchegiano nasceu em 1º de setembro de 1923, em Brockton, cidade grande produtora de calçados em Massachusetts, onde trabalhou na sapataria do pai, lavou pratos, removeu neve, limpou chaminés e carregou barris em uma cervejaria.

Quando entrou para o Exército, durante a Segunda Guerra Mundial, Marciano passou a cogitar o boxe como carreira profissional. Foi o empresário quem sugeriu que Rocco Marchegiano adotasse Rocky March, por ser mais fácil de pronunciar, nos ringues.

“Eu sou italiano e preciso ter um nome italiano”, protestou o pugilista.

A solução foi suprimir as letras do meio.

Após vencer Walcott e ser recebido com festa em Brockton, Marciano defendeu o título em seis oportunidades.

A primeira foi a revanche contra Walcott, que não teve chance e foi nocauteado aos dois minutos e 25 segundos do primeiro assalto.

última luta de Rocky Marciano, em 21 de setembro de 1955, seguiu um roteiro parecido com o do combate que lhe deu o título mundial. Archie Moore o derrubou no segundo assalto, mas não conseguiu impedir a reação e acabou nocauteado no nono round.

 

O pugilista Archie Moore, último rival de Rocky Marciano, posa diante de foto do lendário boxeador (Crédito: AFP)

Terminava assim uma carreira perfeita de um boxeador de 1,82 m e 85 kg que, se atuasse hoje, lutaria entre os cruzadores –categoria imediatamente inferior a dos pesados, que era inexistente na época e hoje reúne pugilistas até 90,71 kg.

Alguns especialistas argumentam que Rocky Marciano conseguiu um feito grandioso, mas reinou em uma época sem grandes nomes.

Para tentar resolver essas questões, uma tradição pugilística é colocar o computador para realizar simulações entre grandes lutadores que viveram em épocas diferentes. Na década de 1960, nos EUA, foram realizadas duas envolvendo Rocky Marciano.

A primeira simulou um torneio com os 16 melhores pesados da história. Na final, Marciano enfrentou Jack Dempsey, campeão no início do século 20, e venceu.

Houve também um simulacro de uma “superluta”: Marciano x Muhammad Ali.

Os pugilistas foram filmados em mais de 60 cenas. Ali tinha o vigor físico de seus 26 anos, mas Marciano, já próximo dos 46, precisou emagrecer 20 quilos e usar uma peruca para parecer mais jovem. Foram gravados sete finais possíveis e nem os próprios protagonistas sabiam do resultado.

O resultado, definido por computador com base nas informações da carreira de ambos, foi Rocky Marciano encurralando e massacrando Ali nas cordas.

Floyd Mayweather (dir.) acerta Conor McGregor na luta em que conseguiu sua 50ª vitória (Crédito: John Gurzinski/AFP)

Rocky Marciano morreu em um acidente aéreo em 31 de agosto de 1969, sem saber o resultado de sua superluta com Ali e sem ver Floyd Mayweather nocautear a estrela do UFC Conor McGregor para atingir 50 vitórias em 50 lutas.

 

 

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