Há 55 anos, Santos viu Pelé derrubar o Benfica e conquistou 1º título mundial de clubes pelo país

Por Rodolfo Stipp Martino

Quando o Santos entrou em campo para encarar o português Benfica, em Lisboa, no dia 11 de outubro de 1962, o futebol brasileiro já era admirado por causa da seleção, bicampeã mundial (1958 e 1962).

No entanto faltava para o país reinar no principal torneio internacional entre clubes, que colocava frente a frente os times campeões da Europa e da América do Sul. Valia o título de campeão mundial, pois as principais equipes do planeta eram justamente desses dois continentes.

A competição foi criada em 1960 e era disputada anualmente. O Real Madrid (ESP) foi o seu primeiro campeão. No ano seguinte, a taça ficou com os uruguaios do Penãrol.

Para poder disputar o troféu de 1962, o Santos havia superado na final da Taça Libertadores o Penãrol, após três jogos. Venceu o primeiro duelo por 2 a 1, perdeu o segundo por 3 a 2 e triunfou na partida decisiva por 3 a 0.  Isso já significava um feito para o país –era o primeiro da história do futebol brasileiro.

O rival dos brasileiros no Mundial, o Benfica, tinha conquistado o bicampeonato europeu ao triunfar por 5 a 3  sobre o poderoso Real Madrid, que contava com craques como Puskas e Di Stéfano.

O título mundial seria disputado em dois jogos, o primeiro no Maracanã, no Rio, e o outro no estádio da Luz, em Lisboa. Se cada time vencesse um duelo, uma terceira partida seria disputada também em Portugal.

Ao desembarcar no Rio para o primeiro confronto, os jogadores portugueses, entre eles o atacante Eusébio, mostraram que estavam cientes de que a missão não seria nada fácil. “O Benfica chegou dizendo que todo o respeito a Pelé é pouco”, informou a Folha em 18 de setembro de 1962.

SANTOS EM VANTAGEM

E a previsão de que Pelé brilharia se confirmou. O craque brasileiro fez dois gols na vitória do Santos por 3 a 2 no Maracanã, no dia 19 de setembro, em uma difícil, mas merecida vitória do time paulista.

Depois do duelo, o técnico santista Lula afirmou que o jogo fechado e a tática defensiva do Benfica dificultaram os seus comandados. Já o treinador do Benfica, Fernando Riera, declarou que sua equipe jogaria melhor e seria mais ofensiva na segunda partida da final.

Pelé salta para cabecear a bola durante a vitória do Santos sobre o Benfica, no Maracanã (Foto: Acervo UH – 19.set.1962/Folhapress)

Com o resultado no Maracanã, bastava um empate para o Santos ficar com o troféu de campeão mundial. Apesar da desvantagem, o Benfica mostrava muita confiança em aplicar uma virada na decisão do torneio. O otimismo era tanto que os dirigentes portugueses não quiseram esperar, anteciparam-se e fizeram os ingressos  para um terceiro jogo entre Benfica e Santos. A ideia era começar a vendê-los logo após o apito final do segundo confronto.

PREPARAÇÃO

Os brasileiros também se diziam otimistas, mas a última partida antes de viajar para Lisboa serviu como alerta para lembrá-los de que não eram invencíveis. O Santos encarou a Portuguesa pelo Campeonato Paulista e perdeu por 3 a 2, assunto que foi comentado durante o embarque rumo à Europa.

Durante os treinos em Portugal, Pelé foi um dos destaques em campo. Fora do gramado, o craque também era a figura central. Repórteres o bombardearam com perguntas, algumas fora do âmbito esportivo: “Casa ou não casa? Já é noivo?”, questionavam. Bem-humorado, Pelé fez os jornalistas gargalharem com uma de suas respostas. “São muitas mulheres, é verdade. Mas, eu não sei, sinceramente, quem quer o Pelé e quem quer o Edson Arantes…”, disse.

É CAMPEÃO!

A alegria de Pelé mostrada nos treinos também foi vista em campo na final do Mundial. O Santos atropelou o Benfica por 5 a 2.  O astro deu um show, com arrancadas sensacionais, dribles desconcertantes e assistências, além de ter feito três gols (dois golaços). Coutinho e Pepe marcaram os outros.

O time da Vila Belmiro abriu 5 a 0 no placar, e só no final da partida é que os portugueses fizeram os seus gols. Assim, a hegemonia do futebol mundial era do Brasil tanto em torneios entre seleções como em competições entre clubes.

Com a atuação de gala em Lisboa, os brasileiros receberam muitos elogios. Até o árbitro da partida, o francês Schwinte, comentou que “Pelé estava num de seus dias”. Os jornais portugueses colocaram o camisa 10 nas nuvens:  “A bomba Pelé explodiu, e a fortaleza do Benfica desmoronou-se como um castelo de areia”, escreveu um dos veículos portugueses.

Campeões, os jogadores foram recebidos pelo presidente de Portugal da época, Américo Tomás. Ele conversou com Pelé e perguntou qual era a idade do jogador. “Vou fazer 22 anos”, respondeu o craque. O presidente estranhou: “Como assim? Tão novo e já sabe tanto…”. O brasileiro devolveu: “Não, senhor presidente. Estou sempre aprendendo”, disse.

Antes de voltar ao Brasil, o Santos aproveitou a viagem para Europa para realizar amistosos na França, na Alemanha e na Inglaterra. A delegação santista retornou ao país no dia 25 de outubro e foi recebida por cerca de 500 pessoas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A missão de Pelé e seus companheiros estava concluída com sucesso.

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