Há 45 anos, Richard Nixon era reeleito presidente com vitória esmagadora sobre George McGovern

Por EDGAR SILVA

Há 45 anos, o republicano Richard Nixon foi reeleito presidente dos EUA ao derrotar o democrata George McGovern, numa das vitórias mais impressionantes na corrida para a Casa Branca.

Os números a favor de Nixon foram celebrados pelo Partido Republicano e só tiveram alcance igual em 1984, com Ronald Reagan.

Nixon venceu McGovern em 49 dos 50 Estados e obteve 520 votos dos delegados do Colégio Eleitoral, contra 17 de seu oponente –uma margem nunca antes alcançada nas eleições americanas.

Doze anos depois foi a vez do também republicano repetir o feito. Reagan derrotou o democrata Walter Mondale por 525 contra 13 votos do Colégio Eleitoral e também venceu em 49 Estados.

A vitória esmagadora que garantiu a reeleição de Richard Nixon só foi abafada e abalada pelo caso Watergate.

DERROTAS ELEITORAIS

Antes de enfrentar John F. Kennedy, em 1960, Nixon foi vice-presidente durante o mandato de Dwight D. Eisenhower (1953-1961).

Indicado pelo Partido Republicano, Nixon enfrentou Kennedy numa das eleições mais controversas da história americana e perdeu com uma margem de menos de 120 mil votos (o resultado mais apertado das eleições modernas nos Estados Unidos).

O Partido Republicano queria a contagem dos votos, mas seu candidato recusou. Segundo Nixon, o pedido soaria como de um perdedor magoado e levaria o país a uma crise institucional, dando margens a outras nações especularem sobre roubo nas urnas.

Os republicanos sustentavam que Kennedy teria fraudado urnas em Illinois, Texas e outros Estados, mas Nixon aceitou a derrota.

Dois anos depois, ele tentou ser governador em seu Estado natal, a Califórnia, e novamente foi derrotado. Desta vez pelo democrata Edmund G. Brown –pai do atual governador do Estado, Jerry Brown.

Após nova derrota, Nixon anunciou sua aposentaria da vida política e atacou a imprensa dizendo que a partir daquele momento não “teriam mais Dick Nixon para ficar chutando”.

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PRESIDÊNCIA E WATERGATE

Somente em 1968, Nixon conseguiu chegar à Casa Branca. Com uma margem de menos de 1 milhão de votos, ele derrotou Hubert H. Humphrey.

Apesar das expectativas de que Nixon seria um presidente “do nada”, sua administração realizou uma série de reformas importantes no bem-estar social, nos direitos civis, nas questões ambientais e em outras áreas.

A vitória estrondosa quatro anos depois alçaria Nixon à liderança do Partido Republicano, mas a revelação de escutas clandestinas nos escritórios democratas no complexo de edifícios Watergate fez seu comando ruir.

A extensa cobertura do jornal “Washington Post” levou a um choque com a Casa Branca. Porém os repórteres do Post Bob Woodward e Carl Bernstein tiveram apoio do então editor-executivo Ben Bradlee e da publisher Katherine Graham para continuar com as reportagens.

Assessores, secretários, ex-agentes, figuras ligadas ao presidente, um a um foram sendo descobertos e convocados a depor. Mesmo depois de informado, Nixon fez de tudo para obstruir a Justiça e impedir que seus assessores fossem punidos.

A esmagadora vitória eleitoral deu lugar a denúncias, inquéritos e um processo de impeachment. Apesar de ter declarado numa coletiva de imprensa que não era ladrão, Nixon não resistiu ao escândalo e renunciou em 8 de agosto de 1974.

Ao todo mais de 70 pessoas foram condenadas, menos Nixon, perdoado por todos os seus delitos um mês depois por Gerald Ford.

George McGovern, derrotado dois anos antes, mostrou sua insatisfação com o desfecho do caso. “Cabe perguntar como o ex-presidente pode ser perdoado, enquanto seus subordinados estão sendo enviados para a cadeia”, disse McGovern.

“É difícil conciliar esses dois diferentes critérios de justiça. Com toda a franqueza, a decisão do presidente Ford me deixou atônito”, completou.

 

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