Há 85 anos, nascia a atriz Nicette Bruno, um dos ícones da TV e do teatro brasileiro

Por Luiz Carlos Ferreira

Uma das grandes referências do teatro e da teledramaturgia brasileira, a atriz Nicette Bruno completa 85 anos neste domingo (7).

Nicette Xavier Miessa –nome de batismo– nasceu em 7 de janeiro de 1933, na cidade de Niterói, na região metropolitana do Rio.

Atuando há mais de 70 anos no teatro e há 67 na televisão, atualmente interpreta Elza, na novela “Pega Pega”, da TV Globo, que terá seu último capítulo exibido nesta segunda (8).

Em 2016, ao lado de outra veterana, a atriz Eva Wilma, atuou na peça “O que Terá Acontecido a Baby Jane?”, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo. A montagem é uma adaptação do clássico filme homônimo, lançado em 1962 nos Estados Unidos.

Entre fevereiro e março de 2017, uma nova temporada da peça esteve em cartaz no mesmo teatro, mas desta vez com Paulo Goulart Filho (o caçula de Nicette) no elenco.

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OUTRAS GERAÇÕES

A herança artística vem desde os tempos da avó, uma médica italiana formada em canto e que aos sábados figurava como anfitriã dos saraus musicais e poéticos que a família organizava durante a infância da atriz.

A mãe de Nicette Bruno foi a cantora lírica e também atriz Eleonor Bruno (1913-2004), que inspirou o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues na peça “Dorotéia” (1949), na qual Eleonor atuou na estreia um ano depois.

Precoce, aos quatro anos, Nicette já cantava e recitava poemas no programa infantil de Alberto Manes, na Rádio Guanabara. Em pouco tempo tornou-se pianista na atração.

O amadurecimento artístico, contudo, floresceu das passagens que a atriz teve no Teatro Universitário, de Jerusa Camões –onde atuou em “Romeu e Julieta”– e no Teatro do Estudante, de Paschoal Carlos Magno, local em que também passou a colega de profissão, Ruth de Souza.

Nicette Bruno em 1952, ano em que fez “A Corda”, sua primeira novela na TV Tupi (Foto: fev.1952/Folhapress)

Nicette Bruno iniciou sua trajetória profissional em 1947, na estreia da peça “A Filha de Iório”, do poeta e dramaturgo italiano Gabriel D’Annunzio, produzida pela Companhia Dulcina-Odilon, uma das mais renomadas companhias de teatro da época, de propriedade da famosa atriz Dulcina de Moraes.

A atuação da atriz, que tinha 14 anos na ocasião, rendeu-lhe o prêmio de Atriz Revelação concedido pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Este foi o ponto inicial para as mais de 50 montagens em que Nicette Bruno atuou ao longo da carreira.

Em 1951, aos 18, fundou na praça da Bandeira, no centro de São Paulo, o Teatro de Alumínio, um projeto fracassado da prefeitura que a atriz aproveitou para consolidar a sede de sua companhia teatral.

Foi nesse ano, durante as preparações da peça “Senhorita Minha Mãe”, do francês Louis Verneuil, que a atriz conheceu o ator Paulo Goulart (1933-2014), que se tornou seu eterno par romântico da vida real e com quem teve três filhos: as atrizes Beth Goulart e Bárbara Bruno e o ator Paulo Goulart Filho. 

Em entrevista ao programa “Fantástico”, exibido em 16 de março de 2014, três dias após a morte do marido, a atriz disse: “Procurava sempre estar arrumada na frente dele. Ele sempre deixava um bilhete, uma flor, era um homem muito gentil com todos”, completou.

PIONEIRA NA TV

Ainda em 1951, um ano após a chegada da TV no Brasil, Nicette Bruno esteve nos primeiros momentos da Tupi, o primeiro canal de TV do país. Na emissora, participou de teleteatros e novelas, além de outros programas.

Os atores Paulo Goulart e Nicette Bruno em cena da peça “Ingenuidade” (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Matriarca, empresária, freira, avó, vilã, mocinha. Foram inúmeros os tipos interpretados pela atriz desde seu começo na Tupi, onde fez sua primeira novela, “A Corda” (1952).

Naqueles anos, além de mais enxutas, as tramas eram exibidas no máximo três vezes por semana. Também não era comum emissoras firmarem contratos com os atores, que tinham o teatro como principal fonte de renda.

A ERA DAS GRANDES TELENOVELAS

O primeiro folhetim diário em que Nicette Bruno atuou foi “Os Fantoches” (1967), de Ivani Ribeiro, exibida pela TV Excelsior. Depois atuou em “A Muralha” (1968) e Sangue do Meu Sangue” (1969).

Em 1970, com o fim da emissora, a atriz voltou para a Tupi de São Paulo. Lá, no mesmo ano, protagonizou a trama “A Gordinha”, de Sérgio Jockyman. Seu papel foi o da personagem Mônica Becker, uma jovem interiorana que almejava um bom emprego na cidade grande.

Ainda na Tupi a atriz participou, dentre outras, das tramas “O Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “As Divinas… e Maravilhosas” (1973), “Rosas dos Ventos” (1973) e “Éramos Seis” (1977), este último um dos trabalhos mais relevantes de sua carreira.

Com o fechamento da Tupi em 1980, a atriz passou a fazer parte do núcleo artístico da TV Globo, onde é contratada há 38 anos.

A atriz Nicette Bruno durante gravação da novela “Sétimo Sentido”, exibida na Globo em 1982 (Divulgação)

A primeira novela global foi “Sétimo Sentido” (1982), onde encarnou a personagem Sara Mendes, mãe de uma paranormal feita por Regina Duarte.

Nos anos seguintes vieram “Louco Amor” (1983), “Selva de Pedra – 2ª versão” (1986), “Rainha da Sucata” (1990), “O Amor Está no Ar” (1997) –onde fez a personagem Úrsula, sua primeira vilã na casa–, “Alma Gêmea (2005), “O Profeta” (2007) e “I Love Paraisópolis” (2015), entre outras produções.

No cinema, foram cerca de dez trabalhos, entre os quais “Querida Susana” (1947), “A Marcha” (1972), “A Guerra dos Rocha” (2008) e o último, “Doidas e Santas” (2016).

O SÍTIO

Na segunda adaptação do “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida na Globo entre 2002 e 2004, Nicette Bruno foi o grande destaque ao interpretar a Dona Benta, outro papel marcante na trajetória da atriz.

Cinco décadas antes, ela já havia participado da primeira versão do infantil, exibida durante dez anos na Tupi, entre 1952 e 1962.

Nicette Bruno no papel de Dona Bent,a na segunda versão do “Sítio do Picapau Amarelo”, da Globo
(Foto: Antônio Gaudério/Folhapress)