Há 85 anos, nascia o ator Paulo Goulart

Por Alberto Nogueira

“Aproveite bem a vida, porque ela passa depressa.”

Estas foram as últimas palavras do ator Paulo Goulart a sua mulher, a atriz Nicette Bruno, pouco antes de sua morte, em 13 de março de 2014, devido a complicações em decorrência de um câncer renal, doença contra a qual lutou por cerca de cinco anos.

Se ainda estivesse vivo, Goulart faria 85 anos nesta terça (9).

Com 62 anos de carreira, o ator é amplamente conhecido por seus diversos papéis na TV, no teatro e no cinema. Mas poucos sabem que ele tinha uma outra paixão na juventude, algo que vinha de família: o rádio.

Paulo Afonso Miessa –nome de batismo– nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde viveu parte da infância na fazenda, em meio a criação de café e de gado.

Uma mudança de cidade, quando ele ainda era bem jovem, mudou o ambiente ao seu redor. Em Olímpia, também no interior do Estado, vacas e plantações deram lugar a mesa de som. Seu pai havia fundado uma rádio, local onde Goulart trabalhou como DJ e operador antes de ser promovido a locutor, aos 13 anos.

O ator também tinha um tio radialista. Foi dele, Airton Goulart, que herdou o sobrenome artístico.

Anos depois de sua experiência na rádio do pai, Goulart veio para a cidade de São Paulo estudar química industrial. Na capital também tentou dar sequência na carreira de radialista, com um teste na Rádio Tupi, mas foi reprovado.

Todavia, foi contratado pelo dramaturgo Oduvaldo Vianna para atuar como ator de rádio na própria emissora onde havia sido preterido. Lá, trabalhou com Hebe Camargo (1929-2012) e Cassiano Gabus Mendes (1929-1993), pai dos também atores Tato e Cássio Gabus Mendes.

A ida para a TV não demorou muito. Após algumas aparições na TV Tupi, foi contratado em 1952 pela TV Paulista para atuar na novela “Helena”, de Manoel Carlos, sua estreia na teledramaturgia. Este também foi o ano em que descobriu outras duas paixões: o teatro e Nicette Bruno.

O palco, inclusive, foi o motivo dele ter abandonado o curso de química industrial. “Cheguei até o segundo ano e descobri a minha verdadeira vocação. Graças a Deus, o teatro me tirou da química”, disse em entrevista à Folha, em 2010. O artista debutou nos palcos, ao lado de Nicette, na peça “Senhorita Minha Mãe”, de Louis Verneuil, com direção de Abelardo Figueiredo.

Goulart e a atriz se casaram em 1954. Ao longo de 60 anos formaram um casal na vida real, nas telas e nos palcos. Os frutos desse relacionamento foram os três filhos, os também atores Bárbara Bruno, Beth Goulart e Paulo Goulart Filho.

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TRAJETÓRIA

1952
Primeira novela, “Helena”, adaptação de Manoel Carlos para o romance homônimo de Machado de Assis, na TV Paulista

Convidado por Nicette Bruno, na época do elenco da companhia Teatro de Alumínio, estreia no teatro com a peça “Senhorita Minha Mãe”, de Louis Verneuil, dirigida por Abelardo Figueiredo

1953
Funda, com Nicette Bruno, a companhia Teatro Íntimo

1956
Participa da montagem da peça “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, com a companhia de Henriette Morineau

1957
Estreia no cinema com o filme “Rio Zona Norte”, de Nelson Pereira dos Santos

1966-68
Atua nas novelas “As Minas de Prata”, ‘Os Fantoches’ e ‘O Terceiro Pecado’, escritas por Ivani Ribeiro para a TV Excelsior

1969
Atua nas novelas “A Cabana do Pai Tomás” (Hedy Maia) e “Verão Vermelho” (Dias Gomes), da TV Globo

Na trama de Dias Gomes, Goulart integra o triângulo amoroso central junto a Jardel Filho e Dina Sfat

1972
É o par romântico de Marília Pera na novela da Globo “Uma Rosa com Amor”, de Vicente Sesso

1974
Ganha os prêmios da APCA e o Molière de Melhor Ator por sua atuação na peça “Orquestra de Senhoritas”, de Jean Anouilh, com direção de Luís Sérgio Person

1977-79
Na TV Tupi, atua nas novelas “Éramos Seis” e “Gaivotas”

1980
Na Globo, participa das novelas “Plumas e Paetês” (Silvio de Abreu)

1986
Faz a novela “Roda de Fogo” (Lauro César Muniz), na TV Globo

1988
Na TV Bandeirantes, atua na minissérie “Chapadão do Bugre”, adaptação de Antônio Carlos da Fontoura para a obra de Mário Palmério, e na Globo, participa da novela “Fera Radical”, de Walther Negrão

1991
Na novela “O Dono do Mundo” (TV Globo), de Gilberto Braga, interpreta o pai do vilão vivido por Antônio Fagundes

1993
Interpreta o vilão Donato no remake de “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro, na TV Globo

1999-2000
Participa das minisséries da Globo “Auto da Compadecida”, adaptação de Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão e “Aquarela do Brasil”, de Lauro César Muniz

2004
Integra elenco das minissérie “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral, na TV Globo

2006-7
Na Globo, faz as minisséries “JK” (Maria Adelaide Amaral) e “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes” (Gloria Perez) e participa da novela “Duas Caras” (Aguinaldo Silva)

2010-11
Entra nos elencos das novelas da Globo “Cama de Gato” (Duca Rachid e Thelma Guedes) e “Morde & Assopra” (Walcyr Carrasco)

2012
Faz seu último trabalho na TV, na série “Loucos Por Elas”, da Globo