Há 20 anos, Ronaldo Fenômeno era eleito pela Fifa o melhor jogador do planeta pela segunda vez

Por Alberto Nogueira

No dia 12 de janeiro de 1998 não teve para ninguém. O atacante Ronaldo, 21, conquistava pela segunda vez o prêmio de melhor jogador do mundo. Um feito até então inédito.

O brasileiro havia conquistado o posto de maior futebolista do planeta pela primeira vez na eleição anterior, quando impediu que o liberiano George Weah –estrela do Milan, eleito em 1995– fosse o primeiro a alcançar a façanha de chegar ao topo duas vezes.

Na eleição da Fifa que escolheu o melhor de 1997, o então atleta da Internazionale (Itália) teve a concorrência de nomes como o lateral-esquerdo Roberto Carlos (Real Madrid), o atacante holandês Bergkamp (Arsenal) e o meia franco-argelino Zidane (Juventus). Os brasileiros ficaram com a primeira e a segunda posição, já Bergkamp e Zidane terminaram empatados em terceiro.

Ronaldo havia acabado de viver um 1997 mágico, com a conquista da Copa América e da Copa das Confederações pela seleção brasileira.

Na temporada 1996/1997, com a camisa do Barcelona, havia feito 34 gols em 37 jogos do Campeonato Espanhol. Apesar da artilharia da competição, o título ficou com o rival Real Madrid.

Pelo time da Catalunha, o craque ergueu os troféus da Copa do Rei e da Recopa europeia e chegou a incríveis 47 gols em 49 partidas.

O jogador estava ambientado e feliz, mas uma briga entre seus representantes e a diretoria da equipe por questões financeiras acabou levando o atleta à Itália ainda em 1997. Ele era sonho antigo da Internazionale, que pagou multa rescisória de 27 milhões de dólares (cerca de R$ 87 milhões na cotação atual).

Ronaldo trocou de time e país contrariado. Por outro lado, não demorou muito para ele se apaixonar por Milão. “Gostei muito do Fenômeno, mas ele não gostava de treinar. Ele passava mais tempo em boates e queria jogar sem treinar, mas o seu talento era fantástico”, disse Mircea Lucescu, técnico do jogador em 1998, ao canal de TV romeno Dolce Sport.

Problemas extra-campo à parte, o ex-treinador foi só mais um a se render à categoria do atacante. A imprensa italiana, impressionada com seu repertório de arrancadas, dribles complexos e gols, passou a chamar o jogador brasileiro de Fenômeno. Não era por menos, em um semestre de clube ele havia marcado 14 gols em 19 jogos. Com a camisa azul e preta do time italiano, o brasileiro conquistou a Copa da Uefa de 1998 –hoje Liga Europa.

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Ronaldo ainda levaria o prêmio de melhor do mundo pela terceira vez. Em 2002, voltando de mais uma grave contusão no joelho, sob a desconfiança da mídia e dos torcedores, o camisa 9 da seleção brasileira conduziu o país à conquista do pentacampeonato da Copa do Mundo. Foram dele os dois gols do Brasil na final contra a Alemanha (2 a 0), no Japão.

O Fenômeno também foi o artilheiro da competição com oito gols. O título e a artilharia marcaram o ressurgimento do craque, que na sequência se transferiu ao Real Madrid e foi eleito o melhor jogador de 2002, deixando para trás o goleiro alemão Oliver Kahn e o meia Zidane.

O atleta, que começou a carreira profissional no Cruzeiro, em 1993, e se transferiu no ano seguinte ao PSV da Holanda, ainda jogou por Milan (2007-2008) e Corinthians (2009-2011). No clube paulista virou ídolo e se aposentou.

A história de amor com a torcida corintiana começou cedo. Logo em seu primeiro clássico contra o Palmeiras, o atacante empatou o jogo no fim (1 a 1) e foi comemorar subindo no alambrado, que cedeu por não suportar o peso de todos os torcedores que subiram na grade do estádio de Presidente Prudente (SP) para festejar com ele. Pelo time alvinegro, Ronaldo conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2009.

MAIORES VENCEDORES DO PRÊMIO DA FIFA DE MELHOR DO MUNDO

1º – Cristiano Ronaldo (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017)

2º – Lionel Messi (2009, 2010, 2011, 2012 e 2015)

3º – Ronaldo (1996, 1997 e 2002)

4º – Zidane (1998, 2000 e 2003)

5º – Ronaldinho Gaúcho (2004 e 2005)

*Entre 2010 e 2015, o prêmio foi entregue em parceria com a revista “France Football”