1968 – DA 13ª A 17ª BOMBA: Ferrovias de SP registram 5 explosões em menos de 2 horas

O número de bombas registradas ao longo 1968, na região metropolitana de São Paulo, deu um grande salto na madrugada de 7 de julho.

Até aquele dia, pelo menos, 12 casos haviam sido contabilizados em 1968. Em menos de duas horas, o número passou para 17.

Cinco explosivos foram detonados em áreas de ferrovias. Não houve vítimas nem grandes prejuízos, apenas sustos e aumento da sensação de insegurança.

Foram atingidos um pontilhão sobre o rio Tietê (perto do Piqueri), dois pontos de uma passagem subterrânea para passageiros na estação da Lapa, uma passagem de nível perto da estação de Engenheiro Goulart e um jardim de oleoduto em Utinga, em Santo André.

O Brasil vivia a ditadura desde 1964, e militares mostravam sinais de que o regime se tornaria ainda mais duro. Usavam o combate à luta armada de opositores como uma das justificativas.

Banco de Dados tem resgatado as histórias de bombas jogadas em 1968 em São Paulo no Blog do Acervo Folha.

Clique na imagem e confira o mapa das bombas em São Paulo em 1968

A primeira bomba na madrugada de 7 de julho foi deixada em uma passagem de nível (um viaduto para trem passar sobre a rua) na avenida Gabriel Mistral, na Penha, bairro da zona leste de São Paulo, perto da estação de Engenheiro Goulart, da Estrada de Ferro Central do Brasil. A explosão ocorreu por volta da 1h30.

De acordo com uma testemunha, duas pessoas, que estavam em um Volks vermelho, foram responsáveis pela ação. No momento em que a dupla colocava a bomba no local, outro veículo, um Gordini bordô, fazia a cobertura.

A versão ganhou força com o depoimento de outra testemunha, que informou ter visto integrantes do carro Gordini alertarem um taxista e um motorista de ônibus Penha-Lapa para não passarem pelo local onde a bomba estava.

Os trilhos ficaram retorcidos, peças foram arremessadas para longe, e a rede elétrica, ao lado da ferrovia, foi danificada.

O deslocamento de ar causou quebra de vidros em várias casas na rua Assis Ribeiro, a cerca de 100 metros do local da explosão.

Por temer atentados nesta área, a polícia interrompeu o trânsito em ruas nessa área.

 

Pontilhão sobre o rio Tietê

Enquanto o Departamento da Polícia Federal recebia as primeiras informações sobre a ação a Penha, o Dops (Departamento de Ordem Política e Social) era avisado sobre a segunda explosão do dia.

Uma bomba foi detonada aproximadamente à 1h45, apenas 15 minutos depois da primeira, em uma ferrovia da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. O alvo foi trecho de uma linha que passa em um pontilhão sobre o rio Tietê, perto do Piqueri, na zona noroeste da capital.

A explosão fez com que vários metros de trilhos fossem destruídos e provocou o descarrilhamento dos três últimos vagões de um trem de carga, que estava vazio indo para Jundiaí.

Uma linha de energia de alta-tensão foi desligada, e a movimentação de trens, interrompida. Assim, evitou-se um desastre.

Estação da Lapa

A terceira e a quarta explosões da madrugada ocorreram quase simultaneamente, em torno das 2h, em uma passagem subterrânea para passageiros, na Estação da Lapa, da Estrada de Ferro Sorocabana.

Uma das bombas foi deixada perto do compartimento que abrigava uma central elétrica. A porta de ferro da dependência resistiu ao impacto. Ela cedeu um pouco, mas não o suficiente para que os equipamentos fossem atingidos.

De acordo com peritos, essa bomba falhou parcialmente ao estourar, pois foram encontrados pedaços de canos inteiros.

O outro petardo estourou a 20 metros dali, arrancando cerca de três metros quadrados de ladrilhos da passagem e destruindo a tubulação de água.

 

Oleoduto

A quinta bomba daquela madrugada explodiu, por volta das 3h15, no terminal de oleoduto da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em Utinga, na cidade Santo André.

A explosão abriu um buraco de dois metros em um jardim próximo à rua Felipe Camarão. O local ficava a 50 metros de um tanque de querosene.

Se o mesmo explosivo tivesse sido jogado do lado oposto, os equipamentos de bombeamentos dos combustíveis poderiam ter sido atingidos. Seria uma situação muito grave, pois o fogo, provavelmente, se espalharia pela tubulação ligada a 16 tanques.

Ninguém foi preso naquela madrugada.

Um dia depois, o ministro da Justiça, Luís Antônio Gama e Silva, esteve em São Paulo e participou de uma reunião com diretores e chefes de segurança de ferrovias.

Para jornalistas, o ministro declarou que não eram ações de estudantes e indicou que os atendados poderiam levar o governo a tomar uma atitude mais severa. “Estão tentando criar condições para o estado de sítio”, disse.

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